blog

blog

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Caminhão tomba em Senador Pompeu e deixa uma pessoa morta

Acidente em Senador Pompeu
Caminhão saiu da pista e tombou na altura do KM 177 da BR-226, em Senador Pompeu ( Foto: VCrepórter )
Um caminhão carregado de coco que vinha do litoral do Estado tombou na altura do KM 177 da BR-226, no município de Senador Pompeu, por volta de 4 horas da manhã deste domingo (18). As informações são da Polícia Militar de Senador Pompeu. O condutor do veículo, identificado como Joaquim dos Santos Filho, 55, natural de Senador Pompeu, morreu no local.
Além da vítima, também estava no veículo um homem, que seria amigo de Joaquim e também caminhoneiro, de nome ainda não revelado. Ele se encontra em estado grave em um hospital da região. O passageiro também é natural da cidade de Senador Pompeu.

Além da reforma da Previdência, intervenção federal na segurança do Rio paralisa outras 97 PECs


Aprovações de PECs no Congresso ficam comprometidas com intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro (FOTO: Geraldo Magela/Agência Senado

A intervenção federal no Rio de Janeiro, decretada nesta sexta-feira, 16, pelo presidente Michel Temer devido ao “grave comprometimento da ordem pública”, ainda precisa ser apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado nos próximos dias para que não seja revogada. Se o decreto for aprovado, propostas de emenda à Constituição (PECs) não podem mais ser discutidas, nem votadas pelos parlamentares até o fim do ano, quando termina a vigência da intervenção. As PECs que tramitam no Congresso Nacional tratam de diversos temas, inclusive segurança pública.
De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, há atualmente 97 projetos do tipo prontos para serem votados em plenário, último passo da tramitação de proposições legislativas. Uma das mais recentes é a 372/2017, que cria as carreiras de polícia penal no âmbito federalestadual e distrital. Com regime de tramitação especial, a PEC poderia ser incluída na ordem do dia se os requerimentos de deputados favoráveis às mudanças fossem aprovados pelos colegas.
A proposta já foi aprovada pelos senadores e precisa de duas votações na Câmara para que ser incluída na Constituição. Se isso acontecer, os agentes penitenciários terão como atribuições a segurança dos estabelecimentos penais e a escolta de presos. Segundo os autores do projeto, a medida vai possibilitar a liberação de policiais civis e militares que têm essas atividades hoje em dia.
Segundo o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB-CE), a única hipótese de o Poder Legislativo voltar a apreciar mudanças constitucionais é se o presidente Michel Temer revogar o decreto, como tem sinalizado que fará para o caso da reforma da Previdência. “A partir da edição do decreto legislativo [prevendo a intervenção], nenhuma mudança da Constituição acontecerá. Se o presidente extinguir o decreto, cessa a intervenção no Rio de Janeiro, então todas as demais PECs, inclusive a da Previdência, poderão transitar. Poderão ser discutidas e aprovadas”, disse o senador.
Sem novas movimentações desde 2009, a PEC 130/2007 revoga dispositivos que garantem o chamado foro privilegiado a autoridades. Se aprovada, a medida  evitará que membros de cargos eletivos e integrantes do Judiciário sejam julgados apenas em tribunais superiores por eventuais crimes penais comuns. Já a PEC 33/2013 torna automática a perda de mandato do parlamentar, caso ele seja condenado por crime contra a administração pública.
Outras propostas, elaboradas há quase 10 anos, poderiam ser apreciadas pelos deputados e alterar a rotina dos órgãos que atuam na segurança pública. É o caso das PECs 33 e 446, ambas de 2009, que, respectivamente, estipula o adicional noturno a policiais militares e bombeiros e cria o piso salarial para os servidores policiais.
Para a próxima terça-feira, 20, o presidente do Senado já havia anunciado o início das discussões da PEC que proíbe o contingenciamento de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. A proposta que cria o chamado Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública foi aprovada pelo Senado no fim do ano passado e agora precisa ser apreciada pelos deputados, inicialmente na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
De acordo com Eunício Oliveira, apesar das limitações decorrentes da edição do decreto, a prerrogativa do Congresso Nacional de aprovar mudanças constitucionais não está sendo diminuída. “A Constituição é clara em relação a isso. Quando os constituintes a fizeram, foi justamente para preservar [a medida a casos excepcionais], para que nenhum governo ou presidente de plantão possa sair fazendo intervenção. O Congresso não está abrindo mão de nenhuma prerrogativa, até porque as mudanças constitucionais, as leis, emendas e revogações de leis cabem exclusivamente a este Poder”, afirmou.

Fortaleza vence de virada

ROGÉRIO CENI mudou o esquema tático do Leão para superar o Floresta MATEUS DANTASTrês meses depois, o Fortaleza teve a chance de se vingar da derrota sofrida para o Floresta na final da Taça Fares Lopes, que tirou o Leão da Copa do Brasil 2018. O Tricolor do Pici reencontrou o Verdão ontem pelo Campeonato Cearense, no Castelão, e venceu de virada por 3 a 2.
Os gols do Leão foram marcados por Gustavo, Bruno Melo e Leonan.
O Floresta balançou as redes com Paulo Vyctor. Com o resultado, o Fortaleza, que havia se classificado antecipadamente para a segunda fase do Estadual, manteve a liderança isolada com 18 pontos.
Já o Floresta, último time a integrar o grupo dos seis clubes que se classificam para a segunda fase, tem 12 pontos e, matematicamente, ainda pode perder a vaga para o Guarani de Juazeiro. Para garantir a classificação, o Verdão precisa apenas de um empate na última rodada ou que o Guaraju não vença o seu jogo amanhã contra o Ferroviário.
No reencontro com o Floresta, o Fortaleza contou com uma ótima atuação de Alan Mineiro, que saiu do banco para mudar a dinâmica da partida.
No 1º tempo, Ceni apostou no esquema 3-5-2 com variação para o 3-4-3, mas não conseguiu furar a retranca do Floresta. Os times foram para o intervalo sem modificar o placar.
Percebendo a deficiência da armação do time, Ceni lançou Alan Mineiro a campo no lugar de Igor Henrique. Depois colocou Wesley e Leonan, sacando Alípio e Edinho.
Ceni deixou o esquema inicial para o habitual 4-3-3, mas o Tricolor saiu atrás no placar, devido a uma falha grotesca de Felipe em que Paulo Victor aproveitou para abrir o placar. Sem se intimidar, o Leão dominou o Verdão e chegou à vitória.
Apesar do triunfo, a partida ficou marcada por uma polêmica durante penalidade para o Fortaleza, quando já vencia por 2 a 1. Gustavo pegou a bola para cobrar. Mas, Bruno Melo é o cobrador oficial e se aproximou para bater.
Do banco, Rogério Indicou que quem deveria bater era Bruno Melo.
Entretanto, Gustavo se manteve irredutível e bancou a cobrança. O camisa 9 bateu e fez. Mas o árbitro mandou voltar por conta de invasão de Wesley. Na segunda cobrança do centroavante, o goleiro Mauro defendeu.
Após o jogo, Bruno Melo amenizou. “Acontece, faz parte do futebol”, disse.

ROTEIRO DO JOGO
CEARENSE 2018
Fortaleza 3 3-5-2: Boeck; Jussani, Ligger e Felipe; Tinga, Pablo, Igor Henrique (A. Mineiro), Alípio (Wesley) e Bruno Melo; Gustavo e Edinho (Leonan) Técnico: Rogério Ceni
Floresta 2 4-3-3: Mauro; Danrley, Regineudo, Caça-Rato e Zé Carlos; B. Ocara, Edgar e Gabriel (Dim); Felipe Lacerda (Pavuna), Cariús e P. Vyctor Técnico: Raimundinho
Gols - 4MIN/2T - Paulo Vyctor; 17MIN/2T - Gustavo; 37MIN/2T - Bruno Melo; 43MIN/2T - Leonan; 49MIN/2T - Paulo Vyctor. Data - 17/02/2018 Local - Arena Castelão, em Fortaleza Horário - 18h (horário local) Cartão amarelo: Caça-Rato (Floresta) Árbitro - Cleuton Lima Assistentes: Jailson Albano e Marcondes Simão 

Comissão da OEA condena chacina em Itapajé


A matança em Itapajé ocorreu após o confronto entre detentos de facções rivais. Dez presos foram mortos e oito ficaram feridos ( Foto: João Neto / Diário do Nordeste )

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), condenou, nesta sexta-feira (16), os atos de violência na Cadeia Pública de Itapajé, no Ceará, que deixou dez presos mortos e oito feridos no dia 29 de janeiro.
Em comunicado, a CIDH "urge ao Estado investigar e esclarecer as circunstâncias em que ocorreram esses fatos, e identificar e punir os responsáveis". Com sede em Washington, nos Estados Unidos, a comissão é um órgão autônomo criado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para promover e proteger os direitos humanos no continente, e conta com sete membros independentes.
A matança em Itapajé ocorreu após o confronto entre detentos de facções rivais. A cadeia, que tem capacidade para 25 presos, estava ocupada por 113 detentos. Na hora da briga, só um dos dois agentes penitenciários estava de plantão -o contingente de dois é praxe em unidades menores no estado.
A CIDH afirma que o Brasil tem a obrigação de investigar "de ofício e com a devida diligência todas aquelas mortes de pessoas que se encontram sob sua custódia". Cobra que sejam identificados, além dos responsáveis diretos pelas mortes, os autores intelectuais e as autoridades que, por ação ou omissão, possam ser responsáveis pelo ocorrido.
Ainda de acordo com o comunicado, a CIDH e a Corte Interamericana realizaram "reiteradas recomendações ao Estado do Brasil a fim de garantir os direitos desta população". A comissão cobra agora que o país adeque as condições de detenção das prisões aos padrões internacionais.
"É indispensável que o Estado brasileiro realize ações para desarmar os reclusos; que imponha controles efetivos para impedir a entrada de armas e outros objetos ilícitos; que investigue e sancione atos de violência e corrupção, e adote medidas para prevenir a atuação de organizações criminosas nas prisões", afirmou Joel Hernández, relator da CIDH sobre os direitos das pessoas privadas de liberdade.

Petistas já discutem estratégias em caso de prisão de Lula

Enquanto torcem para que o Supremo Tribunal Federal (STF) conceda um habeas corpus em favor de Luiz Inácio Lula da Silva, petistas próximos ao ex-presidente discutem o que fazer caso o líder máximo do partido vá para a prisão. Os petistas calculam que, se consumada, a prisão de Lula deve ocorrer em março.
O debate ainda não foi colocado formalmente para deliberação das instâncias partidárias, mas um grupo restrito formado por dirigentes, parlamentares, ex-ministros e líderes de movimentos sociais tem conversado sobre quais ações podem ser postas em prática enquanto Lula estiver na prisão.
As discussões vão desde a estratégia eleitoral em caso de impedimento de Lula até mobilizações de rua, campanhas na internet e o comportamento do próprio ex-presidente na cadeia. Segundo um petista próximo de Lula, o ex-presidente não vai reconhecer "moralmente" a condenação a 12 anos e 1 mês de prisão imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), não deve ser um preso dócil e "vai dar trabalho".
Alguns petistas chegam a falar em greve de fome, mas auxiliares mais próximos do ex-presidente garantem que Lula nunca cogitou a ideia. Ele ficou seis dias sem comer quando foi preso em 1980, durante a ditadura militar, por liderar uma paralisação de 41 dias dos metalúrgicos do ABC. Mas em 2005, quando era presidente, Lula criticou essa forma de protesto quando o bispo Luiz Flávio Cappio fez uma greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco. "Greve de fome é judiar do próprio corpo", disse Lula, à época.
Algumas iniciativas têm sido tomadas à revelia do ex-presidente. No dia 1.º de fevereiro a Frente Brasil Popular (FBP), formada por cerca de 200 movimentos sociais ligados ao PT e ao PCdoB, aprovou proposta do Movimento dos Sem Terra (MST) para a realização de um acampamento na frente da casa do petista, em São Bernardo, a partir desta segunda-feira, 18. O objetivo seria constranger a Polícia Federal ou até, no limite, impedir o cumprimento de um eventual mandado de prisão. Lula não foi consultado e integrantes da direção da Frente acham pouco provável que a proposta seja colocada em prática.
Alguns dirigentes petistas sugeriram a realização de uma vigília na frente da prisão em Curitiba para onde o ex-presidente pode ser levado. Um grupo de parlamentares do partido propõe organizar caravanas diárias para visitar Lula e, assim, propagar as mensagens do petista para fora da cadeia e manter seu nome em evidência. Ainda não há decisão se, em caso de prisão, ele vai se entregar ou esperar a chegada da PF em casa. Os petistas acham difícil a manutenção de grandes mobilizações populares.
Segundo auxiliares e pessoas que estiveram com Lula nos últimos dias, ele está tranquilo e mantém o bom humor. O ex-presidente encara a possibilidade de ser preso como um ato político que tem como objetivo tentar tirá-lo da disputa presidencial. Ele tem dito que em três anos de investigações, os responsáveis pela Lava Jato não conseguiram desmoralizá-lo perante o eleitorado e seus aliados políticos.
Assessores de Lula comparam a situação com a do senador Aécio Neves (PSDB-MG), flagrado em conversa na qual pede dinheiro ao empresário Joesley Batista, da JBS, e marginalizado por muitos de seus próprios companheiros de partido.
"Lula não é o Geddel (Vieira Lima) nem o (deputado) João Rodrigues (PSD-SC, preso no dia 8 deste mês)", afirmou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP). "Estamos vivendo uma situação em que de um lado o prestígio de Lula e do PT aumentam sensivelmente e do doutro a perseguição judicial não cessa", completou.
Enquanto isso, os petistas se mobilizam para tentar convencer o plenário do STF a aceitar o habeas corpus de Lula. O ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, recém incorporado à defesa do petista, tem circulado pelos gabinetes da Corte. O périplo começou no mesmo dia (6 de fevereiro) em que sua inclusão foi anunciada, quando houve a posse do ministro Luiz Fux na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho, o advogado e ex-deputado Sigmaringa Seixas, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha também foram escalados.
Otimismo
Depois da entrada de Pertence na equipe de defesa, o clima de pessimismo foi substituído por um otimismo controlado. "Apesar de todos sinais contrários, ainda tenho esperança de que vai se fazer justiça nas Cortes superiores. Não aceito a normalização da prisão do Lula", disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Camocim registra maior precipitação em 24h

Chuva
Choveu em mais de 70 municípios entre as 7h de sábado e as 7h de domingo ( Foto: Fabiane de Paula )
Depois das últimas 24h de chuvas intermitentes, o município de Camocim registrou a maior precipitação do Estado, com um volume de 88 mm, de acordo com dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Entre as 7h de sábado (17) e as 7h deste domingo (18), choveu em 78 municípios cearenses. O último dado atualizado pelo órgão foi às 12h. 
A segunda maior chuva do período analisado foi em Caririaçu, com 80 mm. Já em Fortaçeza, a Funceme registrou precipitações de 31,6 mm no posto de Messejana. 
A previsão do tempo para este domingo é de nebulosidade variável, com chuva em todas as regiões ao longo do dia. Para amanhã (19) e terça-feira (20), também são esperadas precipitações em todo o Estado. A maior chuva da Capital em 2018, até o momento, foi registrada entre os dias 15 e 16 deste mês.

Jovem raptado em Crato foi encontrado semi degolado e marcas de torturas

Um crime com requintes de crueldade foi registrado na zona rural de Crato. Por volta das 8 horas deste sábado populares encontraram em um matagal na Vila Guilherme daquele município o cadáver do jovem Francisco Tomaz Alexandre, de 19 anos, que era apelidado por “Pan” e residia na própria localidade. O corpo apresentava marcas de torturas e estava semi degolado com profundas perfurações no pescoço supostamente com armas brancas.

Segundo a polícia, a vítima tinha sido raptada por volta das 23 horas da noite desta sexta-feira de sua casa deixando a família desesperada. O Delegado de Polícia Civil de Crato, Diogo Galindo, está à frente das investigações do crime e até já teria o nome de um dos suspeitos. Entretanto, optou por não revelar com o objetivo de não atrapalhar as apurações em torno do caso.

Este foi o segundo homicídio do mês de fevereiro em Crato e o sexto do ano no município. O último tinha ocorrido na noite do dia 2 de fevereiro na Rua Caloré do Bairro Barro Branco, onde Francisco das Chagas Carvalho Leite, de 24 anos, que ali residia, foi morto a tiros. Ele estava com um menor de 15 anos atingido por três tiros e socorrido ao hospital. Três homens se aproximaram das vítimas num carro de cor branca e um deles sacou uma pistola quando efetuou os disparos
.

caminhão carregado de milho tomba na estrada das Guaribas, no Crato

Uma carreta carregada de milho tombou no início da manhã deste domingo (18), na descida da ladeira das Guaribas, no Crato. As primeiras informações dão conta de falha nos freios do caminhão. Para não atingir veículos que vinha no sentido, o motorista jogou o caminhão contra o barranco no acostamento provocando o tombamento do veículo, que ficou atravessado na pista interditando o tráfego de veículos no local.


Confira no vídeo abaixo.


Milhares de jovens fora da escola e sem emprego

Deputado Carlos Felipe, da base governista, apresenta estatística e reclama mais atenção para os jovens sem escola e sem emprego no Ceará ( Fotos: Saulo Roberto )

Ao tratar sobre a crise na Segurança no Estado do Ceará, assunto mais debatido pelos parlamentares nesta primeira semana de atividades na Assembleia Legislativa, após o feriado do Carnaval, o deputado Carlos Felipe (PCdoB) levou à tribuna, ontem, dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) de 2017 sobre os jovens que nem estudam e nem trabalham no Estado.
Segundo ele, quase metade (43%) dos cearenses entre 18 e 21 anos está nessa situação, o que facilita a entrada dessa população no mundo do crime. Além de políticas voltadas para a geração de emprego, o parlamentar também cobrou resultados das forças policiais e de quem está no seu comando, diante do "esforço sobre-humano" do Governo do Estado em realizar investimentos na área.
Carlos Felipe chamou a atenção, durante discurso, para os altos índices de jovens no Ceará que nem estudam e nem trabalham, grupo conhecido, informalmente, como "nem nem". No ano passado, de acordo com diagnóstico do Ipece apresentado pelo deputado, 28% dos cearenses entre 15 e 17 anos estavam nessa condição.
A partir dos 22 anos, o índice sobe para 35% e atinge o maior percentual que os jovens com idade entre 18 e 21 anos, em que quase metade deles (43%) nem estudam e nem estão ocupados. O mais alarmante, segundo Carlos Felipe, é que o estudo revela que apenas 11% dos jovens cearenses entre 15 e 29 anos estão buscando emprego e outros 22% ainda estão fora do mercado de trabalho.
Reserva
"Isso corresponde a quase 500 mil jovens, meio milhão de jovens. Se você observar que a maior parte dessas pessoas são do sexo masculino e têm até 29 anos de idade, você tem aqui um exército para ser morto. São 500 mil que estão fáceis de serem pegos pelo crime, pelo narcotráfico e que pode, com certeza, ser um dessa reserva de contingência que tem para morrer".
Segundo ainda o deputado, "enquanto os afazeres domésticos são o principal motivo para o sexo feminino, a maioria dos homens não deseja trabalhar. Ou seja, aqui você tem um problema sociológico, cultural, econômico que, certamente, não é só do Estado. Essa análise mostra a necessidade de formulação de novas políticas", refletiu.
Para o parlamentar, "mais do que tudo", é preciso que sejam maiores os investimentos em políticas sociais, voltadas para a "transição desse aluno que sai do Ensino Médio para o emprego". Por outro lado, Carlos Felipe avaliou ser necessário, também, estabelecer critérios de resultados na Secretaria da Segurança, assim como ocorre na Educação. Ele reconhece o "esforço sobre-humano" do governador Camilo Santana (PT) em combater a violência, mas cobrou o mesmo de todos os agentes públicos.
"Envolve a Justiça, os políticos, o Executivo, cada um deve ser cobrado. Você (policial) precisava de carro? Lhe dei carro. Você não queria aumento? Lhe dei aumento, agora, me dê números, isso envolve também resultados. Por exemplo, um comandante de uma região, se ele ficar um ano e não baixar os índices, ele deveria continuar? Nós não temos critérios de resultados na Educação?! Não deveríamos ter também na Polícia? Eu acho que são muitas ações, inclusive, uma ação promovendo os bons policiais e também não deixando de fazer o papel quanto aos maus. (A Corregedoria) Tem que ser forte, não é pra punir o (policial) que tá no fronte e pra salvar a população, às vezes, mata um bandido, mas os policiais corruptos, que recebem dinheiro do narcotráfico, que estão envolvidos com gangue", observou.
O parlamentar chamou a responsabilidade também do Poder Judiciário, que deve agilizar o julgamento dos presos provisórios. No Ceará, metade dos presos, cerca de 27 mil, sequer foram julgados.
Prevenção
Depois do pronunciamento do deputado Carlos Felipe, o tema segurança continuou no centro das discussões com o deputado Heitor Férrer (PSB) cobrando maior envolvimento das prefeituras no combate à criminalidade e investimento do Estado em políticas de prevenção, principalmente em escolas de tempo integral no Ensino Fundamental. Por outro lado, a liderança do Governo na Casa defendeu os avanços que o Estado tem obtido na área da Educação, com a ampliação das escolas em tempo integral no Ensino Médio, e frisou que a violência aumentou em todo o País.
Para o parlamentar, "vamos continuar fracassados, enquanto não resolvermos o problema na essência, que é a célula municipal". "Nós vivemos nas cidades, eu considero que, dentro da estrutura política, os prefeitos são os mais responsáveis pela violência nessa área. Os prefeitos teriam que ter a obrigação de catalogar todas as famílias do Interior, onde eles administram, quais são as mais vulneráveis, o nome do pai e da mãe, o que fazem e onde os filhos estudam", apontou.
Ele acredita que, além do envolvimento das prefeituras em ofertar o ensino em tempo integral para as crianças, é preciso o Estado garantir esgotamento sanitário, emprego e renda. "Se o Estado não põe a mão nesses meninos desta forma, alguém porá de outra forma, que é o narcotráfico e que transforma esses meninos em atores do crime em pouco tempo".
Estratégica
Ao apartear Férrer, o deputado Evandro Leitão (PDT) rebateu, afirmando que o Estado tem, sim, implementado políticas de prevenção, principalmente, na área da Educação. Ele enfatizou que das 100 melhores escolas públicas do País, 77 são do Ceará. "Isso não é investir em política de prevenção? Uma política estratégica atua nos dois lados, e o lado preventivo não é ignorado pelo nosso Governo. A violência aumentou em todo o País, não se resolve no estalar de dedos, deputado", exclamou.
Para Heitor Férrer "as políticas públicas investidas estão sendo jogadas no ralo do lixo, o crime aumentou em todo o Ceará. Não tenha esse pensamento tosco. O Porto do Pecém, que é o que mais importa e exporta, mas dinheiro resultado dessas operações não está resolvendo o problema do Estado, porque a cada dia se mata no mais", disse.

Mais uma reunião sem as definições de candidatos

Image-0-Artigo-2363970-1
Para o deputado federal Genecias Noronha, são reuniões demais e pouco resultado. Mas até abril, espera ele, sairão os candidatos da oposição cearense
"As nossas reuniões estão iguais as do PT. É reunião demais e pouca decisão". A frase é do deputado federal Genecias Noronha (SD), sobre os encontros da oposição no Ceará e poucas definições, principalmente, sobre nomes para a disputa majoritária no Estado. A cúpula oposicionista se reuniu, mais uma vez, na noite da última quinta-feira, onde ficou decidido que através de uma pesquisa seus membros iriam buscar o perfil de um provável postulante.
De acordo com alguns dirigentes partidários que participaram do encontro, a definição do grupo será anunciada somente em abril próximo, logo após o período de "janela partidária", quando muitos políticos ingressarão nas legendas com representatividade no Estado. Na próxima semana, em evento no Centro Industrial do Ceará (CIC), o senador Tasso Jereissati (PSDB) participará do movimento "Renasce", que segundo oposicionistas, faz parte das movimentações do grupo adversário de Camilo.
Segundo informou Genecias Noronha, a reunião da quinta-feira passada teve como objetivo discutir os problemas do Estado do Ceará, como a crise da Segurança, além de tratar sobre possíveis candidatos da oposição ao Governo do Estado, Senado e cargos na disputa proporcional de outubro próximo.
"A gente já vem discutindo, afunilando, e vamos chegar aos nomes que queremos na candidatura majoritária", disse o parlamentar, afirmando ainda que na próxima terça-feira, uma nova pesquisa interna será iniciada, avaliando aspectos qualitativos e quantitativos para se encontrar o perfil do candidato que o cearense quer.
Ele destacou que o nome de Caio Asfor tem sido colocado nas discussões, por representar o novo, mas destacou que também está se avaliando outros postulantes. Noronha afirmou que cinco ou seis nomes estão sendo considerados para se tirar daí o melhor para a disputa ao Governo. "Vamos definir primeiro as candidaturas majoritárias de governador, vice, senador e suplentes. Depois passamos para a discussão de federal".
Representantes do partido NOVO também participaram da reunião de quinta-feira. O deputado, contudo, disse que as reuniões da oposição "estão iguais as do PT. É reunião demais e pouca decisão". Segundo ele, isso tem acontecido porque a bancada está sendo mais criteriosa na escolha dos candidatos.
Capitão Wagner, que também participou do encontro, disse que ficou impressionado com as presenças de integrantes de outros partidos na reunião, que "sequer imaginava que estariam conosco, discutindo sobre composição de chapa majoritária". Segundo informou, até o começo de abril se conclui todas as discussões e sairão os nomes.

Corpos encontrados em Aquiraz são de Gegê do Mangue, número 1 do PCC, e cúmplice

As principais vozes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando Capital) fora dos presídios, de acordo com a Polícia Civil de São Paulo, Rogério Jeremias de Simone, conhecido como Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, chamado de Paca, foram mortos a tiros em suposta emboscada em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza.
 
 na tarde deste sábado, 17. Até então, a Secretaria da Segurança Pública do Ceará não havia repassado a identificação dos corpos. 

(Foto: Divulgação / SAP)
As informações foram confirmadas ao portal G1 pelo promotor Marcio Sérgio Christino. De acordo com ele, os dois eram foragidos da Justiça de São Paulo e líderes da facção criminosa. 
 

Segundo o Ministério Público, Gegê do Mangue era, atualmente, o número um na escala da chefia do PCC, e Paca era outro líder da facção. Moradores relatam que um helicóptero teria efetuado voos em baixa altitude e os ocupantes efetuaram os disparos. O fato ocorreu na última quinta-feira, 15. 

Os corpos foram encontrados perto da Lagoa da Encantada, por um jovem que colhia frutas. O local é de mata fechada, sem acesso via estrada. O homem chamou a Polícia, que iniciou o trabalho de perícia. 

A Polícia e o Ministério Público trabalham com a hipótese de que eles foram vítimas de uma emboscada de organização criminosa rival. A suspeita é que os dois estavam atuando pelo PCC no Paraguai e na Bolívia, coordenando importação e exportação de armas e drogas para o Brasil. fonte POVO Online 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Ambulantes ocupam calçadas e ruas do Centro de Iguatu

Os pedestres precisam disputar espaço nas principais vias da Cidade ( Foto: Honório Barbosa )

Há reclamação, também, que nem só ambulantes, mas alguns comerciantes têm obstruído calçadas com mercadores e outros tipos de serviços, também causando transtornos aos pedestres, sobretudo aqueles com dificuldade de locomoção ( Foto: Honório Barbosa )
Iguatu. Caminhar pelo centro desta cidade, localizada na região Centro-Sul do Ceará, não é tarefa fácil. As calçadas estreitas estão ocupadas por vendedores ambulantes, mercadorias das lojas, bicicletas e placas de publicidade. Os pedestres são obrigados a descer para a rua e disputar espaço com motos e carros, aumentando constantemente o risco de acidente. As pessoas idosas e com deficiência enfrentam ainda mais transtornos.
É um problema que se arrasta ao longo do tempo e parece não ter solução. Em recente encontro entre empresários e o prefeito Ednaldo Lavor o tema foi novamente abordado. "Por causa da crise, aumentou o número de ambulantes. Todos precisam trabalhar e viver, mas é necessário regulamentar a presença do comércio ambulante", frisou o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Tadeu Rolim.
Em janeiro passado, o Sindilojas e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) solicitaram do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) a adoção de providências mediante a desorganização do comércio ambulante. Em resposta, o promotor de Justiça da Comarca de Iguatu, Fábio Vinícius Ottoni Ferreira, disse que o "MPCE carece de legitimidade para atuar no caso" e encaminhou o pleito ao Município para a adoção de soluções cabíveis.
Sem providência
No decorrer do tempo, vários gestores passaram sem uma ação concreta do poder público municipal para disciplinar o comércio ambulante e a ocupação das calçadas. Resultado: o problema se repete e cresce a cada mês. "Aumentou a presença de camelôs e de produtos nas calçadas, criando dificuldade para os consumidores e lojistas", reclamou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Iguatu, Francisco José Mota Luciano, mais conhecido como Dedé Duquesa. "É preciso encontrar um local adequado para os camelôs", completou.
Há unanimidade entre os dirigentes de entidades empresariais e os moradores de que as calçadas devem permanecer livres para os pedestres.
Necessidade
Já os vendedores ambulantes defendem a necessidade diária do trabalho e a dificuldade de se estabelecer em um imóvel. "Deveria ter um espaço para todos nós próximo ao mercado", reivindicou o vendedor Paulo Lima. "Construíram um centro de feirantes e deveria ter um espaço para nós também", acrescentou.
Iguatu
O problema vem se agravando ao longo dos anos sem que seja dada uma solução de espaço para os vendedores ambulantes (Foto: Honório Barbosa)
O vendedor ambulante Francisco Rocha ocupa, com uma banca de artigos variados, quase toda a calçada estreita na Rua Coronel José Mendonça, no centro comercial, há mais de seis anos. As pessoas passam com dificuldades e, às vezes, é preciso descer para a rua, ao lado do meio-fio. "Foi o melhor lugar que encontrei porque outros pontos estão ocupados", justificou Francisco.
O camelô Luís Lima disse que não tem condições financeiras de se estabelecer em um imóvel comercial. "O aluguel é caro e as minhas vendas são poucas. Por isso tenho que permanecer nas calçadas", explicou. "Sou contra aqueles ambulantes que ocupam toda a extensão da calçada", afirmou.
Bancas com confecções (peças íntimas) ocupavam a Praça Gonçalves de Carvalho (Caixa Econômica).
Queixas
A dona de casa Adriana Santos disse que duas vezes por semana faz compras no Centro e enfrenta os transtornos das calçadas ocupadas por mercadorias, bancas e bicicletas. "Está cada vez pior", contou. "É um perigo para quem é idoso ser atropelado na rua ou mesmo cair nas calçadas", disse a aposentada, Maria Marlene Oliveira.
Além da ocupação das calçadas há outro problema: a construção de áreas de passeio irregulares, com nível de piso diferenciado. "Tem calçadas baixas, outras altas e a gente dá muita topada se não tiver cuidado", disse o aposentado, Sidnei Gomes.
"Em minha opinião, as calçadas devem ficar livres para a gente caminhar", disse o comerciário José Vicente Lisboa. "Sei que as pessoas precisam trabalhar, sobreviver, mas é preciso respeitar o direito do pedestre", destacou José.
Comerciantes também
O professor Paulo Ribeiro disse que as calçadas ocupadas prejudicam os consumidores e os lojistas, mas chamou a atenção para os empresários que colocam produtos na via de passeio. "Tem estabelecimentos que colocam caixas com mercadorias, ocupando totalmente a calçada", frisou. "Há também uma oficina e loja de bicicleta que faz o mesmo".
O prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, por sua vez, explicou que iria definir uma equipe para analisar a reivindicação dos lojistas e encontrar uma solução comum, que atenda a todos os segmentos. "É bom ouvir as reclamações, receber sugestões e, de forma conjunta, vamos encontrar uma solução", pontuou. "O centro de feirantes vai abrigar dezenas de vendedores", projetou.
Recentemente foi inaugurado o Centro de Feirantes que ainda não está funcionando por pendências entre a empresa construtora e a Caixa Econômica Federal, financiadora.
Mais informações
Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Iguatu
Rua Dr. João Pessoa, 987. Centro
Fone: (88) 3581-1818

Caverna pode ter gravuras rupestres mais antigas do Ceará


Image-0-Artigo-2363212-1
Segundo o grupo de estudo, o valor histórico da caverna deve ser muito grande ( Foto: César U. V. Veríssimo )

Itatira/Madalena. A lenda de uma princesa indígena fugida com um amante pertencente a outra tribo, há dezenas de anos no Ceará, alimenta o imaginário de turistas e moradores na região dos municípios de Itatira e Madalena. A residência do casal teria sido uma gruta situada no limite entre as duas cidades, próxima à localidade de São José dos Guerra, a 180Km de Fortaleza. A caverna, que remonta à Pré-História, tornou-se o palácio da princesa, ou, como é conhecida pela população local atualmente, a Casa de Pedra.
Um grupo de pesquisadores do Departamento de Geologia (Degeo) da Universidade Federal do Ceará (UFC) resolveu estudar a formação geológica e todos aspectos culturais e mitológicos da gruta. O objetivo do grupo é mapear toda a Casa de Pedra, desvendando seus segredos geológicos e, ao mesmo tempo, estimulando a fortalecimento do vínculo cultural dos visitantes com o local, a partir dos mitos que cercam a caverna.
Segundo o grupo de estudo, estima-se que o valor histórico da caverna seja muito grande. As gravuras de figuras humanas encontradas nas paredes de mármore, apesar de não terem ainda uma datação concreta, podem ser os mais antigos registros rupestres do Ceará. As marcas de água e a proximidade com cursos de rios também indicam a presença de tribos pré-históricas, pela necessidade que os antigos homens tinham de estar próximos a uma fonte hídrica.
Para o professor Wellington Ferreira, integrante da pesquisa, é preciso haver um modo de estudar a formação geológica sem destruir os mitos criados. "É preciso ter sensibilidade. O recebedor (a população) do conhecimento científico precisa assimilá-lo, mas equilibrar com seu conhecimento tradicional, pois são as peculiaridades e as lendas que tornam o lugar atrativo", frisa.
Redirecionar essa criação de vínculo, importante para os visitantes, também é um dos objetivos do Degeo. O grupo espera, a partir do potencial educacional da caverna, promover o uso ambiental e historicamente consciente do lugar. "Há um valor científico, turístico e educacional, porque vislumbramos aquilo como sala de aula, onde podemos mostrar aos agentes da comunidade como disseminar essa preservação", diz o professor.
Além de ter um grande potencial turístico, Wellington Ferreira aponta que o local é uma espécie de cápsula do tempo. "A Casa de Pedra já está protegida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Essa estrutura se formou há centenas de milhares de anos atrás e são consequências de episódios climáticos. Atualmente não temos algo correspondente no Nordeste", acrescenta.
Os habitantes das cidades próximas à gruta, tanto de Madalena quanto da vizinha Itatira, já são conhecedores de algumas das peculiaridades do local. O chamado quarto da princesa, por exemplo, é lugar de visitação comum: com o que parece ser uma cama feita de pedra, o salão é um dos locais preferidos dos frequentadores, pois permite um bom descanso e aproveitamento de ar fresco.
Outro espaço, conhecido como o quarto escuro, guarda histórias que dialogam com o terror. Segundo o imaginário popular, como se trata de uma região com pouca luz nem mesmo velas se sustentam lá, e lanternas são incapazes de manter o foco. Mas o que parece uma sala de infinito breu é, na verdade, apenas um pequeno corredor: bastam alguns passos e quem entra lá alcança logo outro espaço da caverna, bem mais iluminado.
Livro
Após todo o trabalho topográfico, auxiliado até por drones, o laboratório publicará um livro no qual será discutida não apenas a geodiversidade e as questões de patrimônio da Casa de Pedra, mas também o processo de formação da caverna. A ideia também é levar o mesmo tipo de estudo para outros locais do Ceará, onde outras grutas são fonte de vínculo com a comunidade que as cerca.

Escritora transforma cordéis em prosa e publica livro

A escritora Maria Djanira Alves Feitosa nasceu na localidade de Flamengo, zona rural de Saboeiro, em 1937e diz que teve o apoio e o entusiasmo dos filhos para publicar o livro ( Foto: Honório Barbosa )
00:00 · 17.02.2018 por Honório Barbosa - Colaborador
Acopiara Depois de escrever 13 cordéis sobre temáticas variadas, a escritora Djanira Feitosa resolveu transpor para a prosa muitas de suas poesias e publicou o livro 'Minhas Histórias de Trancoso... Era uma vez'. A ideia foi resgatar as narrativas da literatura cordelista publicadas individualmente nos últimos seis anos e deixar uma obra para que netos e outros leitores pudessem conhecer em um só volume.
"Eu tinha esse desejo há mais de 50 anos, muitas histórias guardadas, contatadas por minha irmã, Maristela, na nossa infância", justificou Djanira Feitosa. No sítio Cacimba dos Noés, no distrito de Trussu, zona rural de Acopiara, a escritora viveu com nove irmãos e desde cedo revelou aptidão para memorizar versos, quadras, fazer dramas domésticos e as primeiras poesias.
Em um caderno, Djanira Feitosa escrevia suas primeiras ideias, copiava fielmente histórias e versos ouvidos de terceiros em estilo de repentistas e trovadores sertanejos. "Quanto mais fazia, mais surgiam novos versos e inspiração", revelou.
Aos 80 anos, a fonte de motivação literária parece inesgotável. "Quero continuar fazendo cordéis, na verdade, já tenho três prontos. Vou escrever até quando Deus permitir".
Djanira Feitosa achou interessante a experiência de transformar em contos, as histórias narradas poeticamente. "Tive o apoio e o entusiasmo dos meus filhos, professores, Nabucodonosor e Nabupolasar, que fizeram revisão dos textos", revelou.
A obra foi dedicada a eles dois e às duas filhas: Elisa Paraguaçu e Cleópatra, além de cinco netos, cujos nomes seguem a tradição familiar de batizar os rebentos com nomes de inspiração bíblica e de personagens mitológicos.
A obra apresenta um conjunto de 48 histórias. O destaque é para a irmã da escritora, Maristela, que a inspirou bastante. A diferença de idade entre as duas era de seis anos. Mais velha, Maristela fazia muitas danações no sítio, no armazém da família e para obter a cumplicidade da irmã sempre prometia contar uma 'história de trancoso'.
Djanira tornou-se cúmplice e reafirmava as versões nem sempre verdadeiras da irmã perante os pais. "Ela me comprava o silêncio, prometendo contar uma história". A primeira narrada no livro recebe o título 'Presepadas de Maristela', mas a obra traz pelo menos mais quatro contos atribuídos à danação da irmã.
Outras foram ouvidas no colo do pai. A obra reúne uma coletânea de contos que se relacionam com narrativas comuns no sertão nordestino, com suas variantes de tempo e de lugar, recolhidas da tradição oral e dos registros escritos.
É marcante a presença da irmã mais velha, Maristela, na vida e na inspiração literária de Djanira Feitosa. "Um dias nós entramos no armazém para Maristela tirar um pedaço de fumo para fazer um cigarro. Queria fumar escondido. Ela subiu na prateleira e eu pequena deixei a vela queimar um pano, quase acontecia um incêndio, mas ela apagou o fogo e escondeu o tecido. Ficou o cheiro de queimado. Papai percebeu, mas eu havia jurado de joelhos para ela que não contaria a verdade, e disse que ninguém entrou na loja".
Uma das histórias tem o título de 'Verdelim', cuja narrativa fala de um pássaro que toda noite visita uma moça e, ao chegar à casa dela, se transforma em um belo rapaz, que é um príncipe. A tradição das narrativas orais, hoje denominadas de contação de histórias, contribuiu sobremaneira para se manter viva as histórias ditas de trancoso.
Em suas narrativas, Djanira Feitosa mantém os elementos do encantamento, da magia, das fábulas, dos heróis, da alegria das crianças sertanejas. As histórias contidas na obra podem ser lidas separadamente, sem seguir ordem. O prefácio do livro é dos filhos, professores, Nabupolasar e Nabucodonosor Alves Feitosa. O último conto tem um título curioso: 'A mulher que namorava três padres'.
O primeiro cordel produzido por Djanira Feitosa foi uma encomenda do ex-prefeito de Acopiara, Antônio Gaspar do Vale, e narra o crescimento da cidade durante a gestão dele. A autora também gravou um CD com cordéis cantados. Dentre os títulos poéticos destacam-se: "A vida do turco ou a traição de Edileusa pelo amor de Aragão"; "A princesa do sítio de Laranjeira"; "O ermitão de muquém"; "100 anos de seca - 1915 - 2015'; "A catitinha que matou o Izato"; "A história da mulher bonita e o sofrimento de Ritinha"; "A história do reino da água azul"; "A vida de Luiz Gonzaga", uma homenagem ao rei do baião pelo transcurso do centenário de vida.
Comerciante
Maria Djanira Alves Feitosa nasceu na localidade de Flamengo, zona rural de Saboeiro, em 1937. Casou-se com Francisco Alves Batista, comerciante, e morou com os pais em Fortaleza e depois com o marido em São Paulo. É técnica em Contabilidade e tem cursos de Taquigrafia e Relações Humanas. Foi professora, diretora escolar e promotora de eventos culturais.
Ao lado dos filhos, a escritora está trabalhando na produção de um livro que trata das expressões usadas em letras de músicas cantadas por Luiz Gonzaga. "O objetivo é esclarecer certas palavras, frases, segundo o costume nordestino", adiantou. "Enquanto não caducar, com apoio de meus filhos e se Deus quiser vou continuar escrevendo as histórias que tanto ouvi e que tenho inspiração".

Xilogravura do Cariri resiste e se reinventa a cada dia

Da Lira Nordestina nasceu um celeiro de xilógrafos juazeirenses ( Foto: Antonio Rodrigues )

O primeiro contato de José Lourenço com a xilogravura foi aos 13 anos, a partir do seu avô, Pedro Luiz Gonzaga, que cortava papel na Tipografia São Francisco ( Foto: Antonio Rodrigues )
Juazeiro do Norte. A lira - instrumento de cordas nascido na Ásia e popular na Grécia Antiga - inspirou Patativa do Assaré a rebatizar a Tipografia São Francisco de "Lira Nordestina", uma das maiores editoras de literatura de cordel do Nordeste. A gráfica foi este "instrumento" responsável por levar a poesia do sertanejo para os quatro cantos do mundo. Dela, nasceu um celeiro de xilógrafos juazeirenses que, até hoje, ilustram as capas dos folhetos e se renovam nas suas oficinas.
Tudo começou em 1932, época em que o Padre Cícero ainda era vivo, quando foi criada a Folheteria Silva, a primeira gráfica de Juazeiro do Norte, que depois passou a se chamar Tipografia São Francisco. A empresa tinha à frente o comerciante alagoano José Bernardo da Silva, um grande incentivador da ilustração das capas dos cordéis a partir da xilogravura. Ela foi vendida ao Governo do Estado em 1982, e passou a fazer parte do patrimônio da Universidade Regional do Cariri (URCA) seis anos depois.
Há dois anos e meio localizada no Centro Multiuso, a Lira Nordestina passou por vários prédios, desde a antiga estação de trem, até o Centro de Artes, no bairro Pirajá. Hoje, com coordenação artística do xilógrafo José Lourenço, 52, o espaço recebe artesãos de todo Cariri para realizar suas impressões, além de visitantes, estudantes e pesquisadores. A expectativa é que, um dia, ela possa ter um museu, a Praça do Cordel e uma "cordelteca". "Estamos precisando dar mais movimento a isso aqui", deseja José Lourenço.
O primeiro contato de José Lourenço com a xilogravura foi aos 13 anos, a partir do seu avô, Pedro Luiz Gonzaga, que cortava papel na Tipografia São Francisco. Junto com seus irmãos, ele ficava varrendo a editora que, na época, ficava na Rua Santa Luzia. Quatro anos depois, retornou a Juazeiro para trabalhar na gráfica com a impressão dos cordéis, na época, com capas de Stênio Diniz e Abraão Batista. No entanto, a demanda era grande e estes dois grandes xilógrafos não tinham tempo para fazer todas as capas dos cordéis. O jovem José Lourenço se viu obrigado a começar a rabiscar, enquanto seu patrão, o poeta Expedito Sebastião da Silva, observava. No outro dia, um rapaz entregou um cordel sobre casamento matuto e queria uma ilustração. O pagamento foi adiantado. Surgiu a primeira de muitas xilogravuras de José: noivo de um lado, noiva de outro, jumento no meio e árvore no fundo. "Nem gastei o dinheiro, com medo de pedirem de volta", lembra o xilógrafo.
Xilogravura
O advogado Adriano Ferreira tem as xilogravuras como hobby pessoal desde 2009, quando aprendeu a talhar a madeira com um professor, ainda no Ensino Médio (Foto: Antonio Rodrigues)
O cliente gostou da capa e José Lourenço não parou mais. Passou a ser o novo "gravador" da Lira Nordestina. De lá pra cá, muita coisa mudou. Seus traços foram aprimorados, ele utiliza mais detalhes e ampliou o uso da xilogravura para fora das capas dos cordéis. Hoje, elas estão em coleções temáticas, capas de livros, chinelos, canecas e azulejos. "Até hoje é o que me sustenta", garante.
Esta renovação na utilização da xilogravura surgiu por meio de experiências, inclusive, com outras tintas. Mas não parou por aí. Ele também utiliza a internet para receber encomendas. "Me mandam uma imagem e já começo a fazer o desenho", acrescenta. Para José Lourenço, a tecnologia potencializou a sua arte e obrigou os xilógrafos a se reinventarem. "É uma forma de atrair o jovem. Tem que ser usado para conseguir se manter", completa.
Mas ele não esquece a influência dos xilógrafos que o inspiraram, como o próprio Stênio Diniz. "Um dos maiores gravadores que já vi. Os traços, a delicadeza, nunca vi igual. Ele me ajudou muito", exalta. Além dele outra geração, como a de João Pereira e Antônio Baptista, dois juazeirenses, não é esquecida. "A gente herdou esses traços, que queriam chegar muito perto da fotografia. A gravura daqui é diferente da de Pernambuco", pontua.
Hobby
Sobre a mesa do advogado Adriano Ferreira, 25, uma ilustração une os álbuns "The Wall" e "The Dark Side of The Moon", da banda britânica Pink Floyd. Ao lado, uma imagem do cantor Raul Seixas. Estas são algumas de suas xilogravuras, um hobby pessoal desde 2009, quando aprendeu a talhar a madeira, ainda no Ensino Médio, durante oficina ministrada pelo professor de Artes Edilson Botelho.
Da disciplina, Adriano começou a fazer, sozinho, seu autorretrato na madeira da Imburana. Após contato com a Lira Nordestina, foi se inteirando da técnica. "Lá é um espaço de refúgio, principalmente, para impressão das matrizes e manter o contato com outros artistas", explica.
Após alguns anos aprimorando, o advogado faz pequenos retratos para presentear. Hoje, termina uma xilogravura pequena em um dia. No entanto, ele quer fazer numa perspectiva mais das artes plásticas, com tamanhos acima de 60 centímetros. Estas, levam cerca de seis meses para serem concluídas.
"A prioridade sempre foi o entretenimento. Alguns já fiz por encomendas, no sentido de comercializar. Hoje, busco uma perspectiva mais artística, de acervo, produzir álbuns para exposições e até comercialização. Quase todas que fiz eram avulsas. Mas quero fazer álbum, várias xilogravuras com um tema específico", imagina Adriano. Ele acrescenta que o contato que teve em eventos, que trouxeram pessoas de vários lugares do mundo, foi importante para conhecer outras perspectivas na gravura de madeira.
Nova geração
Já o estudante Francisco Bruno da Silva, 26, tornou a xilogravura um trabalho profissional. Além da arte na madeira, ele também produz cordéis e dá oficinas em vários lugares. Apesar de pouca idade, há mais de dez anos desenha e talha. Tudo começou em 2006, quando tinha 15 anos e foi convidado para uma oficina ofertada pela Universidade Regional do Cariri (Urca). De um grupo de 20 alunos participantes, ele foi o único que continuou. "A Lira Nordestina me deu uma força. A partir daí comecei e consegui vender", lembra.
O cordel é uma tradição familiar. Como sua vó gostava muito de cantoria de viola, Bruno foi acompanhando e criando vontade de escrever seus primeiros versos. "Algo mais autodidata", complementa. Atualmente, ele carrega no currículo exposições e coleções, em sua maioria, temas ambientais. Pássaros, peixes e árvores ganham vida nas mãos do xilógrafo, que divide seu tempo com o curso de Biologia, na Urca. "Nos últimos cinco anos, estou talhando mais capa de cordel", confessa.
Bruno acredita que a xilogravura vem se renovando dentro das várias oficinas. Inclusive, o curso de Artes Visuais da Urca oferece, dentro de uma disciplina, aulas da arte na madeira.
"Têm surgido novos traços. O pessoal do curso de Artes tem contribuído, mas as pessoas que fazem oficinas trazem um sangue novo, uma estética nova, com gravuras coloridas. É uma arte perene, não tem como acabar. Se de cada oficina, com 20, 30 pessoas e ficam um, é muito bom", declara.
Este também é o pensamento de José Lourenço, que pretende ampliar as oficinas realizadas na Lira Nordestina, fazendo parcerias, principalmente, com escolas públicas. "Tenho feito alguns trabalhos, mas isolados, sem ganhar nada. A gente vê a carência dos alunos. Hoje, é preciso entrar na universidade para saber o que é a Lira Nordestina. A gente quer começar das crianças. Atingir o povão", conclui.
Fique por dentro

Como a arte chegou ao Cariri cearense

A xilogravura - arte de gravar em madeira - tem origem provável na China do século VI, mas na Idade Média ela se firma no ocidente. Com a difusão em diversos países no século XIX, ela diminuiu o custo da produção de livros ilustrados e cresceu em todo o mundo. No Brasil, chegou com o contato entre a cultura local e portuguesa, mas no Nordeste ela se ampliou e formou diversos xilógrafos.
Em Juazeiro do Norte, José Bernardo da Silva foi a figura responsável por difundir. Nascido em 1901, natural de Palmeira dos Índios (AL), o comerciante foi mais um romeiro atraído pela figura do Padre Cícero. Veio morar no Cariri em 1926. Na mala, trouxe alguns folhetos de cordel que tiveram bastante receptividade na cidade. Daí, começou a imprimir, após adquirir uma máquina de pedal. Posteriormente, instalou a Tipografia São Francisco, que se tornou um dos maiores polos editoriais dos folhetos no Nordeste.
Mais informações:
Gráfica Lira Nordestina - Centro Multiuso -Rua Interventor Fco Erivano Cruz, 120 - Matriz
Telefones: (88) 3102-150 / 99805-0281