terça-feira, 24 de abril de 2018

Ceará ainda tem seis açudes secos e sete abaixo de 1%


Iguatu. Graças às chuvas deste mês, o volume médio dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) praticamente dobrou. Passou de 8.3%, em 31 de março, para os atuais 16%. Foi um alívio. Mesmo assim, o quadro continua crítico e há ainda seis reservatórios secos e sete com menos de 1%.
Este abril segue como o mais chuvoso desde 2009. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou, entre 7h de domingo e 7h de ontem chuvas em 109 municípios. As três maiores caíram sobre Quixadá (66mm), São João do Jaguaribe (48.2mm) e Ibicuitinga (45mm).
Para hoje, a Funceme prevê possibilidade de chuva no Centro-Norte do Estado e para amanhã, o inverso, favorável a chuva no Centro-Sul. Neste período do ano, as chuvas decorrem da aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é uma banda de nuvens formada pela confluência dos ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul.
Açudes
Dos seis açudes que permanecem secos, quatro estão na Bacia do Alto Jaguaribe: Carão, em Tamboril; Faé, em Quixelô; e Monte Belo, em Araripe. O reservatório Carão, em Tamboril, integra a Bacia do Acaraú; e o Serafim Dias, em Mombaça, faz parte da Bacia do Banabuiú.
O gerente do escritório regional da Cogerh em Iguatu, Anatarino Torres, explicou que a irregularidade e a ocorrência de chuvas localizadas, que são características do Semiárido nordestino, fazem com que açudes em um mesmo município ou próximos tenham recargas diferenciadas. "Há também outro fator, que é a existência de outros reservatórios a montante, ou seja, acima, que retém as águas. "Neste caso, é preciso que o açude anterior transborde", explica.
Em Quixelô, o Açude Faé está seco desde 2016. "Em 2013, chegou a ter um milhão de m³ de água, mas veio perdendo volume a cada ano", observou Torres. "O Faé fica abaixo do açude Angicos, que fica entre Acopiara e Quixelô, e somente recebe água do riacho, quando o anterior sangra".
Anatarino Torres exemplificou que, nos últimos três anos, as chuvas têm sido escassas nos municípios de Acopiara, Mombaça, Piquet Carneiro, Catarina, Pedra Branca, parte de Tauá e Arneiroz. "Por isso, há reservatórios secos e com reduzido volume", frisou. "Temos tido invernos fracos e, neste ano, houve uma melhoria, mas as chuvas são localizadas".
Isso faz com que, em Tauá, o Açude Trici (86,60%) tenha obtido significativa recarga e possa até sangrar, por causa de chuvas na região de Quiterianópolis e Parambu. Entretanto, os reservatórios Forquilha II e Favelas permanecem secos, e o Broco está com reduzido volume.
Em Araripe, o Açude Monte Belo continua seco e a explicação assemelha-se ao que se verifica em outros municípios. "Os açudes Pau Preto e João Luís retém a água, impedindo a chegada ao Monte Belo", pontuou Anatarino. "No Sertão Central, há áreas que foram favorecidas por boas chuvas, parte de Quixeramobim, Quixadá e Morada Nova, enquanto que em outras partes as chuvas ficaram escassas".
O açude Serafim Dias permanece seco em Mombaça e dezenas de carros-pipa diariamente deslocam-se até Iguatu para retirar água do Trussu. O mesmo ocorre com o São José II, em Piquet Carneiro, que está com menos de 1%. "O Trussu teve uma pequena recarga neste fim de semana e o nível subiu 9 cm, mas desde 2012 não recebe recarga por que as chuvas em Acopiara e Catarina continuam reduzidas", frisou. "É um reservatório estratégico para o abastecimento de Iguatu e Acopiara".
Em Quixeramobim, a barragem de mesmo nome, que estava seca, em apenas quatro dias recebeu significativa recarga, neste abril, e atualmente está com 76,32%, mantendo a possibilidade de sangria, caso ocorram chuvas na região. Já o açude Monsenhor Tabosa, está com apenas 0,22%. "São realidades díspares em um mesmo município por causa das chuvas irregulares", confirmou o presidente do Sindicato Rural, Cirilo Vidal.

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